terça-feira, 29 de abril de 2008

something old, something new

gostava mais do grafismo da antiga LER. esta versão tem papel acetinado, fino, com brilho. tem letras sempre iguais. a outra era feita em papel grosso, rijo, permeável, baço. tinha fotos fantásticas e um lettering que dava vontade de escortanhar toda a revista (LIVRO!) para composições e colagens. guardei todos os exemplares que comprei, custava-me emprestá-los. lia-a e folheava-a com todo o cuidado para não a abrir e quebrar a lombada.
enfim, welcome back anyway


também me faz falta o dna, agora que penso nas colagens

hunff

porque é que não rebolas de uma vez por todas
para eu deixar de me preocupar com isso?

brave sir john

dados do problema:
família de 4 elementos - r,f,s,s
fds com bónus (1 dia feriado e 1 dia de férias marcado há meses)
r quer fds a 4
f quer fds a 5, com m

problema:
como passar o fds "grande"?

"solução":
acaba-se com fds "grande!
f afinal tem que trabalhar


conclusão:
não tem que se resolver o problema
pq
deixou de existir problema,
pelo menos o problema que estava em discussão

bravo, ambrósio!

domingo, 27 de abril de 2008

25 de abril, sempre!

"porque os outros se mascaram mas tu não
porque os outros usam a virtude
para comprar o que não tem perdão.
porque os outros têm medo mas tu não.
porque os outros são os túmulos caiados
onde germina calada a podridão.
porque os outros se calam mas tu não.
porque os outros se compram e se vendem
e os seus gestos dão sempre dividendo.
porque os outros são hábeis mas tu não.
porque os outros vão à sombra dos abrigos
e tu vais de mãos dadas com os perigos.
porque os outros calculam mas tu não."


sophia

Olá,como vai?Eu vou indo,e você,tudo bem?Eu vou indo,correndo pegar meu lugar no futuro,e você?Tudo bem,eu vou indo em busca de um sono tranquilo

adorava estar no lugar da catarina,
na sua "trama"
ou num lugar ao lado
ou na minha "trama"

cada um tem a sua trama
eu tenho a minha trama
mas ainda não tenho a minha "trama"
o corto maltese desenhou na mão a sua trama,
com uma faca

e,
num um exercício livre de brainstorming,

"tudo já fora previsto
nos olhos de
catarina.."





músicas de jorge palma e paulinho da viola

comemoração

a uns dias de completar 6 meses do lado de cá
E
2h, inteirinhas, para adormecer

ele, que tem sido de uma gentileza para connosco
também na hora de dormir..

enfim,
o que tive presente
enquanto
ia e vinha do quarto
punha a chucha pela n-ésima vez
oferecia mais leite
oferecia água
cantava
fazia festinhas
pegava ao colo
foi
"ninguém chega aos 18 anos sem dar uma má noite"

e funcionou,
não estou stressada

mas

it´s just the beginning
:-)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

previsões

a maternidade trouxe surpresas e não foi apenas a cara fantástica do sebastião. eu li muito, muito durante a gravidez, sobre gravidezes, partos, relações, mudanças.. mas fui apanhada na curva apesar disso.
pensei que o difícil, fisicamente, o momento doloroso por excelência, era o parto. no meu caso isso não se verificou, foram umas horas calmas, 2 ou 3 horas com contracções dolorosas mas, francamente, não fiquei aflita. talvez porque ninguém espera maravilhas e porque nunca me esqueci que o desconforto é temporário, tem fim à vista. com o pós-parto é que a porca torceu fortemente o rabo, a sensação de facas a espetar-se era constante apesar das overdoses de analgésicos. da amamentação esperava outras dificuldades que não a de me espetarem mãos-cheias de alfinetes no peito.. animicamente o difícil para mim foi não conseguir perspectivar quando é que a situação se ia resolver.. essa dúvida, esse desconhecimento, assusta e dificulta a serenidade. eventually it stopped :-)
outra surpresa, a minha mãe com quem tinha uma relação difícil e nada íntima, voltou a ser mãe e fonte de um apoio que não esperava.
ciumes por parte de uma amiga muito próxima foram grande assombro. negra. um afastamento brusco e um ignorar total da "coisa" mais fantástica da minha vida magoaram e deixaram-me perplexa.
as dificuldades não vieram de onde estava à espera, não foram as que vêm descritas nos livros. (excepção feita à da avó que quer o papel da mãe, essa parece ser um clássico)

entrou!

fiz a festa, para mim, como se fazia no meu tempo quando se entrava para a faculdade e para a 1ª escolha. o sebastião teve vaga numa das creches que escolhemos, para começar as aulas :-) em setembro. é muito mais importante do que se pensa à partida, afinal ambas as avós estão reformadas e eu não estou a trabalhar. MAS eu sempre disse, acho que impús mesmo, que o meu filho não ia crescer nas avós e apesar de já terem passado os 5 meses aceites para eu estar em casa, francamente o desejo de ser admitida num emprego não era grande. onde ficaria o sebastião? claro que teria que ser nas avós e, meu deus, não. assim, volto a sentir a conjuntura a melhorar, as peças a encaixar e o espectro a alargar.
foi ontem assinado o código de trabalho, com alterações nas licenças parentais. apesar das % de remuneração estarem longe ainda do que se sabe ser praticado no norte da europa, eu considero um AVANÇO. um filhote pode ficar em casa com os pais no primeiro ano. é neste sentido que sinto que se deve seguir, a importância dos afectos nos primeiros tempos está mais do que estudada e comprovada. enfim, o sebastião nasceu ligeiramente antes de tempo para usufruir(mos) das medidas que têm surgido - só recebemos 3 meses de subsídio pré-natal e eu não recebi o ordenado mínimo que todas as mães desempregadas agora recebem nos primeiros 4 meses do bebé. as medidas entraram em vigor right when we no longer have the right..
fica para a próxima :-)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

3d

isto do blog não está a funcionar muito bem. nem muito nem pouco. felizmente não pus de parte a parelha moleskine-pilot.4. escrevo mais de mim nos comentários aos blogs que "consumo" do que no meu. continua a ser difícil encontrar a fina linha que separa a exposição devassa da minha vida da completa inutilidade e vazio para que tende este blog.. penso nos heterónimos, uma das vias seguidas por muitos, um blog para cada faceta de mim. tipo esquizofrenia. "olá eu sou a rita-mãe" , agora "olá, eu sou a rita-mulher", depois "olá a todas, agora sou a rita que luta para afastar o lodo mas se queixa porque em muitos momentos só vê lama", "olá, eu sou rita que gosta de dizer disparates e testar as palavras". seria uma hipótese. MAS e quando vária ritas coexistem e se misturam numa algazarra?
além disto, quem escreve em blogs e não apenas no seu caderninho preto, (embora já existam moleskines vermelhos e um sem-número de outros suportes privados..) procura alguma audiência. desconcertante é que, simultaneamente, essa plateia constranja. tontice minha, mas vou dizer asneiradas e desencantos em blogs lidos por babby-bloggers? ou dissertar sobre fútilidades num blog lido por livreiros? devia, são tudo facetas da mesma rita, são reais e genuínas.
enfim, se, como diz a minha psi, "assumir uma dificuldade é dar um passo para a ultrapassar", está dado o primeiro passo.
:-)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

com sarjeta e tudo

um oscilar entre
o claro o o escuro
o alto e o baixo

a vida é assim,
com sarjeta e tudo

barata moura subversivo??




"os reis servem para comer
para beber
e dormir também

era um rei com uma grande barriguinha
comia, comia
e mais fome tinha"

two in blue


mesa, domingo, chiado


e eu gosto tanto de correr dentro de esculturas..


domingo, 13 de abril de 2008

maternidade, música, ângulo, IV

"A minha mãe.
É a mãe mais bonita,
Desculpem, mas é a maior,
Não admira, foi por mim escolhida,
E o meu gosto, é o melhor,
E esta é a canção mais feliz,
Feliz eu que a posso cantar,
É o meu maior grito de vida
Foi o seu grito, o meu despertar,
Canção de mãe é sorrir,
Canção de berço de embalar,
Melodia de dormir,
Mãe ternura a aconchegar,
Canção de mãe é sorrir,
Gosto de ver e ouvir,
Voz imagem de sonhar,
Imagem viva lembrança,
Que faz de mim a criança,
Que gosta de recordar
A minha mãe,
É a mãe mais amiga,
Certeza, com que posso contar,
E nem por isso, sou a imagem que queria,
Mas nem sempre me soube aceitar,
Razão de mãe é dizer,
Mãe cuidado a aconselhar,
Os cuidados que hei-de ter,
As defesas a cuidar,
Saudade mãe é escrever,
Carta que vou receber,
Notícia de me alegrar,
Cartas visitas encontros,
Essa troca que nós somos,
Este prazer de trocar,
Canção de mãe é sorrir,
Gosto de ver e ouvir,
A ternura de cantar."


antónio variações

maternidade, música, ângulo, III

esta é estranha..
ainda mais incómoda que a anterior.
no fundo versa também sobre o conhecido complexo de édipo, mas

"Mãe tenho ciúmes do pai
Quando se deita contigo Mãe
E te chupa as tetas
E te esborracha os seios
E se monta em ti
E se vem depois.
Mãe Mãe eu não suporto o pai
Mãe vou dar cabo do pai
Quando ele diz Mãe
Gosta de mim Mãe
Quando ele diz Mãe
Gosta de ti Mãe
Quando ele diz Mãe
Que nos ama aos dois
E depois bate sem fim
Eu vim cá para fora
Toda a gente chora
Toda a gente berra
Foste tu Foste tu
Mãeeu já matei o pai
Mãe Foi uma morte sem dor
Agora sou só eu Mãe
Agora és só tu Mãe
Agora somos só dois
E depois, e depois Mãe
Morreste também Mãe
Traíste-me assim
Agora sou só eu Mãe
E procurei o fim Mãe
Eu vim cá para fora
Toda a gente chora
Toda a gente berra
Foste tu
Foste tu"


xutos

maternidade, música, ângulo, II

"Mother do you think they'll drop the bomb
Mother do you think they'll like the song
Mother do you think they'll try to break my balls
Ooooh aah, Mother should I build a wall

Mother should I run for president
Mother should I trust the government
Mother will they put me in the firing line
Ooooh aah, is it just a waste of time

Hush now baby, baby don't you cry
Mama's gonna make all of your nightmares come true
Mama's gonna put all of her fears into you
Mama's gonna keep you right here under her wing
She won't let you fly but she might let you sing
Mama will keep baby cosy and warm
Ooooh Babe Ooooh Babe Ooooh Babe
Of course Mama's gonna help build the wall

Mother do think she's good enough for me
Mother do think she's dangerous to me
Mother will she tear your little boy apart
Oooh aah, mother will she break my heart

Hush now baby, baby don't you cry
Mama's gonna check out all your girl friends for you
Mama won't let anyone dirty get through
Mama's gonna wait up till you get in
Mama will always find out where you've been
Mamma's gonna keep baby healthy and clean
Ooooh Babe Ooooh Babe Ooooh Babe
You'll always be a baby to me

Mother, did it need to be so high."



Pink Floyd

sábado, 12 de abril de 2008

maternidade, música, ângulo, I

"Os serões habituais
As conversas sempre iguais
Os horóscopos, os signos e ascendentes
Mais a vida da outra sussurrada entre os dentes
Os convites nos olhos embriagados
Os encontros de novo adiados
Nos ouvidos cansados ecoa
A canção de lisboa

Não está só a solidão
Há tristeza e compaixão
Quando sono acalma os corpos agitados
Pela noite atirados contra colções errados
Há o silêncio de quem não ri nem chora
Há divórcio entre o dentro e o fora
E há quem diga que nunca foi boa
A canção de lisboa

Mamã, mamã
Onde estás tu mamã
Nós sem ti não sabemos mamã
Libertar-nos do mal

A urgência de agarrar
Qualquer coisa para mostrar
Que afinal nos também temos mão na vida
Mesmo que seja a custa de a vivermos fingida
O estatuto para impressionar o mundo
Não precisa de ser mais profundo
Que o marasmo que nos atordoa
Ó canção de lisboa

As vielas de néon
As guitarras já sem som
Vão mantendo viva a tradição da fome
Que a memória deturpa e o orgulho consome
Entre o orgasmo e a gruta ainda fria
O abandonado da carne vazia
Cada um no seu canto entoa
A canção de lisboa

Mamã, mamã
Onde estás tu mamã
Nós sem ti não sabemos mamã
Libertar-nos do mal"

jorge palma

preferidos


"como a minha mãe gosto muito do Público. ainda não sei é bem o que se faz com ele"

manias,parte 2

gosto de ouvir conversas nos cafés. há pessoas que falam para ser ouvidas, declamam. e há as pessoas que não se importam. ambas falam suficientemente alto e despudoradamente. aprende-se muito sobre o que é, ou não, ser gente.

manias

gosto de escrever nos guardanapos de papel dos cafés.
escrevo coisas que às vezes não consigo começar a descorrer em suportes mais convencionais.
desbloqueiam-me.

terça-feira, 8 de abril de 2008

bettencourt

restam poucos.

abutres

"-ela tinha uma irmã..."
"-e a irmã tinha filhas! são sobrinhas!"
"-agora hão-de aparecer a reclamar.."
"-tenha atenção!"
"-agora aparecem todas!"
"-por mim podem aparecer, está tudo tratado"
"-ela dizia sempre que não tinha família, que eramos nós a família!"
"-pois claro, nunca lhe ligaram!"


sabem lá estas senhoras vestidas de preto, mesquinhas, se ela se dava ou não com A ou com B.
sabem lá estas senhoras vestidas de preto, profissionais do velório, o afecto dos outros.
sabem lá estas senhoras vestidas de preto, negras, o que foi vivido nas outras vidas.

sábado, 5 de abril de 2008

pateta!

sempre nutri uma inveja escondida pelos “clientes habituais”, nos cafés. aqueles que chegam, são cumprimentados, e lhes levam “o habitual”. nunca fui suficientes vezes aos mesmos cafés e nunca pedi sempre a mesma coisa. por isso nunca me perguntaram “o costume?”

hoje,
quando me sentei no café onde vou desde que o sebastião nasceu, trouxeram-me o meu café e o meu copo de água! assim, sem mais nada, trataram-me como cliente habitual!
e eu, pateta,
“hoje quero com natas, por favor!”

!!!!

passados 5 meses do parto ainda posso culpar as hormonas?

porque é que me comovo com algumas músicas do (professor) barata moura?
com a das cores é uma desgraça.