domingo, 31 de agosto de 2008

sábado, 30 de agosto de 2008

daqui a uns anos trocamos


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

a palavras podem funcionar como os legos

great package, ricardo!

o sistema, ai o sistema

chequeo sistema
liga
desliga
escuro. sem ar condicionado. cala-se a música.

"não, sem música não! o pessoal aguenta isto mas com música!"

regressa a luz
e a música
mas não o andamento

alguém vai a outra carruagem indagar
ninguém sabe de nada
grrr

"há pessoal a desistir e sair!"

são 22h20. não fui ao cinema porque era tarde. quero ir dormir. não tenho bateria o telemóvel, logo hoje.

estamos em santo amaro de oeiras. sem forma de chegar a casa enquanto o comboio estiver amuado.

22h24, ainda em santo amaro
chega um combóio para nos empurrrar. temos todos vontade de rir.
lembro um post que li algures sobre a comunicação que se estabelece entre desconhecidos quando surge o pretexto.

PUM
o combóio encosta.
risos
(eu preferia estar já em casa mas a cena tem graça)

estabelecem-se conversas. sugerem-se e comentam-se soluções. há fotos pelos telemóveis e risos. alguns passageiros rapidamente soltam o lider que há em si e explicam as manobras. fazem-no em inglês, para os turistas.
isto tem tudo imensa graça. se esquecer que são 22h30 e que queria estar eu já encostada às boxes.

esperança, fecham-se as portas.
andamos
3m
pára tudo
de novo
menos a música

a senhora da minha frente tev mais azar - o senhor que vai so seu lado mete conversa, fala, fala, fala. ela vai respondendo com uns "hum, hum" e pensando, imagino eu, "porque no te callas??"

espreito as outras carruagens, panorama idêntico, riem-se e falam ao telemóvel. eu não tenho bateria no meu, logo hoje.

deslocamo-nos mais 10m mas nova travagem! isto não acaba?
a música, de elevador, pressiste.
10cm mais.
um grupo de adolescentes celebra os avanços em centimetros. já vao 30! cm..

comenta-se que, apartir do dobro do tempo da viagem, temos direito à devolução de metade do valor do bilhete. será? registo - lembrar de confirmar!

o f. pensa que eu fui ao cinema, ninguém me espera...

chequeo sistema, de novo no ecran. risos
a verdade é que estamos fechados dentro de um combóio, ainda na estação de santo amaro. diz-se que em oeiras há bifurcação de linha, será possível fazer o tranbordo para outro combóio. mas e chegar a oeiras? há uma ponte pelo meio..

já não tenho água. comi uma empada às 19h.

Energia Positiva!, grita uma míuda careca. reconheço-a, entrou num programa de cantigas da rtp1. é simpática. mantém elevado o moral das tropas.

voltámos a andar!!
mesmo, mesmo! não pára desta vez!

a senhora da frente já dialoga com o companheiro de viagem. quam sabe trocarão ainda contactos? haverá ainda tempo? ouvi que ela sai já em oeiras..

chegamos a oeiras. a relação acabou antes de começar.
chequeo sistema no ecran??? de novo??? alguém grita para as pessoas na estação: "Não entrem!"
a míuda careca sai e deseja boa sorte a quem fica. simpática, já disse?

arrancamos de oeiras, tudo parece ter voltado ao normal.
atravessam a carruagem 3 mecânicos da cp. queixam-se. "Foda-se, acontece-me sempre"
a mim nunca tinha acontecido, penso, foi giro sim senhor mas agora quero ir para casa, se o sr. cp não se incomodar.

didn´t it?

tem tudo tanta graça, catarina
como eu ia trazer um livro da ana teresa pereira sem resisitir nada, nada, porque foi através dela que te vi. como decidi afinal a diferença da vossa essência e olhar para os livros que não se encontram nos outros sítios. como escolhi um livro e o autor me sussurrou "são todos bons mas esse é mesmo o melhor!"
como entrei na sala, depois de passar 3 vezes pela porta, com um sorriso enorme para cobrir a vergonha e me escondi num mergulho imediato nas estantes. como sorri o tempo todo encarandoas lombadas e a pensar como sair dali com alguma dignidade.
como pensei "olha, vou dizer-lhe olá""não, não, não sei o que lhes dizer depois do olá". como nos disseram olá por nós.
teve tudo tanto encanto, catarina!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

bolas, ou um momento de presunção

não mereci um post.





was i not nice
not friendly
not interesting
not likeable
not warm
not open
?
sorry..
i felt all these about you.

se alguém me oferecesse a caixa do césar monteiro evitavam-se estas incorrecções

a frase é "toma lá 100 contos e não gastes tudo em freiras!" !. vá perceber-se o meu lapso de há uma semanas, escrevi "putas".
sem ofensa, foi realmente um lapso.

hoje transbordei

a ela consigo dizer que tenho vergonha. que me vou embora de seguida para não dizer disparates que me façam sentir embaraçada quando, descida a rua, tiver repetido dentro de mim as frases que trocámos. tão poucas frases. nos momentos de vida perfeita acontece-me dissolver-me, "o coração não aguenta, a alma também não". um dia passaremos disto, com toda a certeza. ou não, e foram 5 minutos de uma trama que conteve toda a beleza do mundo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

séries rtp2

ontem percebi a expressão "my person". encontrei-a há meses e ficou a pairar, à espera de explicação de contexto ou origem, não soube onde a encaixar. ontem também senti que neste momento da minha vida estou orfã de "my person"s.

provérbio do dia

uma bolacha maria ao sebastião salva a mãe de uma aflição

it´s oh so quiet

sabe-me bem o espaço.
chegar à cama, ligar o rádio num hábito que vem de sempre, sentar com o portátil quando estou demasiado cansada para sentar com um livro. ando demasiado cansada para Ler, adormeço na mesma página, não chego a entrar sequer. há momentos em que compreendo o que sempre me intrigou, a incapacidade de fazer algo enriquecedor no tempo finalmente livre. quando findas a tarefas sento-me no sofá, hoje às 10h, e tenho vontade de encontrar na tv algo simples. com 4 canais é fácil desisitir rapidamente, ainda tenho resistências à cretinice e é isso que encontro. pode ser do horário mas duvido e também não me interessa.

vamos os 2 para a escola já a seguir. ele pela 1ª vez, eu pela n-ésima. ele precisa de levar uma muda de roupa, eu um mac. ele não sabe o que o espera, eu anseio pelos 2. era bom ser já amanhã.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

va de retro!

-bom dia!
-bom dia..
-tenho para lhe oferecer um produto que
-desculpe, não estou interessada
-é um cartão de crédito que
-não estou mesmo interessada, obrigada
-é um cartão que lhe permite comprar agora e pagar no próximo ano. não está sujeito a aprovação bancária
-fo#%&$! onde é que deixaste a forquilha e como é que disfarçaste tão bem os chifres??

your lips move but i can´t hear what you´re saying *

café amanhã "num sítio com relva bonita" que agora não tem que me saber bem só a mim e cafés são uma seca para bebés que estão a descobrir a descoberta.
contigo
a minha Amiga
a 1ª e a decisiva no pós fundo
foste tão determinante na ascensão
e eu amei-te mesmo, mesmo.

depois
perdeste o teu projecto da forma mais violenta e trágica
encontraste quem te disse que só te davas com pessoas complicadas
(ninguém é só complicado, tu também és complicada, tu sempre gostaste de complicações)
o meu filho nasceu
e tu desapareceste

e eu chamei
e tu disseste "hã?"
mas nunca mais disseste sim! nem não! nem bora! nem a sério??
não

cicatrizei
a pele fica menos sensível onde esteve antes aberta uma ferida


amanhã
amanhã
amanhã
amanhã
amanhã


(*comfortably numb, pink floyd)

afinal escrevi 10 mandamentos como ele

ter menos medo
de desapontar

menos 1 do que os de moisés

escrever no meu blog antes de ler os blogs alheios
escrever no meu blog antes de ler os comentários aos meus posts
não fazer relatório de rotinas
escrever o que me apetece, nos moldes em que me apetece, inclusivamente se me apetecer o molde lamechas ou lamúria.
não cair na crítica pretensiosa pretendendo ilustrar a minha atenção ao quotidiano
saber-me mais feliz
celebrar mais
viver mais

deve ser do degrau que se aproxima

não percebo o teu interesse e como temo que não seja eu quem vês,


retraio-me

umts

por aí:
por trabalho
por procura
por narcisismo
por solidão
por curiosidae
por esperança
por luta
por vício

pedaços de cada

e depois
há a zanga pela não-visita
a mágoa pela não-resposta
a surpresa de ver quem chegou
e a dúvida de a que nível prosseguir

como nas outras formas da vida
há as escolhas que não retribuem a escolha
há a presença dos não escolhidos
a incredulidade perante o ser-se escolhido
a mágoa pelos fogos de vista

parece-me igualzinho
só a gestão do tempo e da distância difere

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

girl friends

é cedo ainda,
por ter ficado tarde demais.

you were the one
and my life became huge
and then you were gone
"ainda bem que conseguiste sozinha, foi importante"
pois foi
mas agora já não te sinto

domingo, 24 de agosto de 2008

s

porque o filho deles nasceu
porque o meu filho vai para a escola
porque a vida vai passar à fase seguinte
porque esta noite estou sozinha em casa com os 2 que não falam

nostalgia
felicidade
celebração

vejo as fotos
sempre foi uma doçura
vejo o b r i l h o
dos meus olhos, deslumbrados sempre,
dos olhos dele, muito grandes, muito surpreendidos sempre

e está ainda MAIOR agora
ele
mais doce
mais curioso
mais vivo
cada vez mais gente

apesar das dificuldades a gerir
foram 10 meses a um nível de maravilha que eu nunca tinha experimentado
de uma exigência grande, grande
mas de uma entrega total
e de um retorno sempre maior

a vida muda muitas vezes
dizer que ele mudou a minha vida não transmite a enormidade do que ele fez

sábado, 23 de agosto de 2008

sugestão

aos senhores do oceanário de lisboa,
que certamente visitam regularmente o meu blog,
:

que tal criarem o "dia da não-molhada"?
nesse dia, que podia até ser um só por semana,
haveria uma lotação máxima de visitantes em simultÂneo no espaço

é que há momentos, muitos,
em que aquilo é pior que o colombo.

e ao 6º dia da semana sentou-se

sozinho.
estava deitado a rebolar e a fazer todas as coreografias que só eles sabem
e quando voltei a olhar
estava sentado.

secalhar de acordo com as tabelas já o devia ter feito.
mas de tabelas está o inferno cheio
hoje o meu filho sentou-se sozinho.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

pregando aos peixes


alguém me explica, pf, o que pretende ele com esta posição?

chora frustrado quando se deixa cair..
???????

coerência


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

e agora o post da vergonha



estes 2 troços de escadas, 3 lances de 8-12 degraus, são a única forma de se atravessar a linha do comboio em belém. regressar ao estoril de comboio exige isto, sem alternativa. conheci mais um livro de reclamações.

grande sebastião!

hoje consegui um feito extraordinário:
marimbei-me para a rotina

simplesmente.
e não é que correu tudo muito bem??
como num anúncio de há uns anos (décadas..): "estou maravilhada!"

tenho uma quedazita para a rigidez que tento combater mas com alguma dificuldade. entre a segurança hirta e a agilidade caótica existirá uma flexibilidade serena que por vezes me escapa.
hoje, hehe, não escapou :-)

iupi

é capaz de ser um dos filmes da minha vida, o Annie Hall, do woody allen. encontrei o guião do filme a 5E numa livraria nesta época de saldos e quis comprar todos os exemplares para oferecer. consegui trazer só um, para mim.

fica um excerto, logo do início, mas hei-de voltar ao tema

"alvy singer, sobre um fundo neutro, fala para a câmara.
alvy: vou contar-lhes uma velha anedota. hum, duas velhotas estão numa pousada da catskill mountain e uma delas diz: "hei, a comida aqui é mesmo horrível." responde a outra: "sim, eu sei, e ainda por cima as doses são tão pequenas..." bem, é assim que eu, de uma forma essencial, sinto a vida. cheia de solidão, de tristeza, de sofrimento e de infelicidade, e tudo passa demasiadamente depressa."

:-)


(esclareço, se interessar, que para mim a vida é muito mais do que menciona o senhor singer)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

benvindo :-)

Espalhem a notícia do mistério da delícia desse ventre
Espalhem a notícia do que é quente e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo q
ue eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra basta,
é só adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita


do sérgio gordinho

"um oscilar entre o claro e o escuro"

we pull each other up.
but only if we´re honest.
brave but honest.

a arte do encontro

dantes gostava de me perder imaginando que algumas pessoas têm a marca, uma marca, que as identifica mas que também as liga umas às outras. há um grupo de nós por aí. temos que nos ir encontrando. olhar à volta. prestar atenção aos pormenores, ao que está para lá do ruído. nesses momentos, "olha, encontrei!", vive-se a serenidade da certeza do caminho. apesar, ou sobretudo depois, de ter andado tanto tempo a gastar as reservas.


há uns anos ouvi o fernando alves, na tsf, a falar de tribo, da sua tribo. e é isso, é disso que falo.


inevitável neste contexto

gilberto gil

p: que balanço faz da sua carreira?
r: o balanço quem faz não sou eu, mas a própria vida. como as oscilações normais das ondas do oceano da vida, houve momentos mais intensos e momentos mais suaves, momentos mais nítidos e outros mais obscuros. (...)



não fala em "bom" nem em "mau". nesta forma de encarar a carreira, a vida, tudo constitui caminho.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

morde-os, ouviste?

o meu amor-grande vai para a escola.
glup.
um misto de alegria emocionada ou de emoção maravilhada, "que crescido, o meu bebé..! como cresceu, como foram bons estes 9 meses..! não fazia nada quando nasceu, chorava e olhava para nós com uns olhões enormes que nos faziam fazer tudo por ele. agora até já refila, mostra zanga, sentado muito direito estica os 2 braços e faz "hunfs". é saudável, sorri, reclama, é saudável. e é o meu amor tão grande, tão grande, que às vezes acho que, se ele deixasse, envolvia-o num abraço cheio de beijocas para sempre.


(ele vai, com 10 meses, para a sala dos 1 aos 2 anos. justificação do título.)

domingo, 17 de agosto de 2008

boa noite

há algo em mim de militar, de soldado. a missão.
mas também há em mim a irritação com a lentidão e falta de visão de quem não acompanha e atrasa. falta-me a costela zen.

são as duas velocidades

viver com calma
e muito rapidamente
processar tudo, reagir, programar, reprogramar, chegar-me à frente, pensar, refletir, ter pronto, equacionar, decidir, projectar, testar, inventar, corrigir, solucionar, descansar, chorar.

são as duas velocidades em simultaneo que me matam.

sábado, 16 de agosto de 2008

enfim, mas siga a banda

ainda ando a adiar. fazer a inscrição. efectiva-la. antes de ir de férias, ludibriei-me, passei-me a mão pelo pêlo, enviei por escrito a intenção de me inscrever. reservaram-me a vaga. chutei para a frente. cumpro o plano que tracei ao longo de meses. as grandes linhas estão traçadas há meses. agora, que chegou O momento, é pegar nas peças e pô-las no sítio. tão somente e simplesmente isso.
o medo, suavemente, discretamente, encontra sempre o caminho.
sabes, tanto tempo a sonhar, a querer, a ganhar a coragem.. e se agora não gosto? ou não tenho mesmo jeito? o que impulsionará nesse caso? um sonho alternativo? tenho 30 anos, começa a ser um bocadito p'ó tarde para grandes zig-zags sem resultados efectivos.

i loooooooove my dog, do afk as cat stevens


"-toma lá 100 escudos e não gastes tudo em vinho.." "-toma lá 100 contos e não gastes tudo em putas", in "a comédia de deus", do césar monteiro


eu acho que sobrevivemos


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

1 semana

sem acesso à net, logo sem mail nem blogs. regresso e espreito.
a vida é muito difícil para as mulheres que querem muito da vida, é o que vejo. é difícil não deprimir. sentir que puxamos, puxamos, puxamos, que tentamos aguentar, aguentar, aguentar, viver tudo e tudo com brilho. como se fossemos infinitas como queremos que a vida seja.

balanço

a nossa relação mudou à custa da distância. como canta o caetano, "ao perto ninguém é normal". com o espaço entre nós vimo-nos de outra forma, forcei-os a ver-me de facto e por isso a ver-me de outra forma. com isso, ou por isso, ou originando isso, está eu ter deixado de ser o que eles viam e eu permitia que me formatasse.
sim, sim, sim.
mas a convivência mostra que há dinâmicas mais pesadas do que toda a água do atlântico e, quando o espaço entre nós se encurta, os tiques, os vícios, voltam a ser visíveis. regressam de um fundo, regressam à tona, ou arrastam-nos a nós para o fundo, afundam-nos da tona.
logo à chegada, o aviso, o abrir das hostilidades "essa toalha é minha", "parece que estamos todos de castigo neste silêncio" ou "esse quarto é o que há". depois dos 4 piscas, vestimos nós o colete e preparamo-nos. "be ready, be alert. the menace is always present, sometimes quietly silent, but always here".
penso que ando zangada. que tem que estar em mim a zanga, se tem sido tão frequente zangar-me. com ele porque não ajudou e permitiu, com a mãe dele por tudo o que disse e fez, com o amigo que se afasta, com o amigo que tem medo de estar sozinho comigo, com a amiga que não aguentou a franqueza, com a amiga que veste a capa da felicidade e do sucesso. à noite, na cama que range, no quarto mais exposto ao barulho daquela casa quente, penso porque ando zangada. não deve ser pelo óbvio. ou será pelo óbvio mas eu às vezes já não vejo o óbvio, por causa da zanga. ela disse-me "o mau estar vem quase sempre de conflitos internos". outra ela disse-me "não nos podemos zangar com eles porque não têm culpa e zangam-nos com os outros".
sim, sim, sim
tudo isso.
mas também uma irmã que, aterrorizada por ir para longe uns meses, agride e desvaloriza tudo, acorda todas as antigas mágoas, para marcar posição, para deixar o castelo bem guardado e destruir tudo o que ela teme que possa ameaçar-lhe a supremacia de sempre.
mas também um pai que sempre preferiu a surdez.
mas também uma mãe que sempre usou da zanga para aliviar a frustração e a culpa.

e eu
a ver isto
sempre a olhar de frente isto
para fugir disto
para não repetir isto
para não cair nisto

soube bem a piscina, a praia, a comida feita no frigorífico, o cão no jardim, a excitação do amor-maior-que-todos.
mas soube mal reviver o pior da minha vida antes de ter mudado de vida.
enfim, há sempre algo de pedagógico nestas coisas.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

in one day, 5 hours and 15 minutes

sebastião turns 9 months.