a nossa relação mudou à custa da distância. como canta o caetano, "ao perto ninguém é normal". com o espaço entre nós vimo-nos de outra forma, forcei-os a ver-me de facto e por isso a ver-me de outra forma. com isso, ou por isso, ou originando isso, está eu ter deixado de ser o que eles viam e eu permitia que me formatasse.
sim, sim, sim.
mas a convivência mostra que há dinâmicas mais pesadas do que toda a água do atlântico e, quando o espaço entre nós se encurta, os tiques, os vícios, voltam a ser visíveis. regressam de um fundo, regressam à tona, ou arrastam-nos a nós para o fundo, afundam-nos da tona.
logo à chegada, o aviso, o abrir das hostilidades "essa toalha é minha", "parece que estamos todos de castigo neste silêncio" ou "esse quarto é o que há". depois dos 4 piscas, vestimos nós o colete e preparamo-nos. "be ready, be alert. the menace is always present, sometimes quietly silent, but always here".
penso que ando zangada. que tem que estar em mim a zanga, se tem sido tão frequente zangar-me. com ele porque não ajudou e permitiu, com a mãe dele por tudo o que disse e fez, com o amigo que se afasta, com o amigo que tem medo de estar sozinho comigo, com a amiga que não aguentou a franqueza, com a amiga que veste a capa da felicidade e do sucesso. à noite, na cama que range, no quarto mais exposto ao barulho daquela casa quente, penso porque ando zangada. não deve ser pelo óbvio. ou será pelo óbvio mas eu às vezes já não vejo o óbvio, por causa da zanga. ela disse-me "o mau estar vem quase sempre de conflitos internos". outra ela disse-me "não nos podemos zangar com eles porque não têm culpa e zangam-nos com os outros".
sim, sim, sim
tudo isso.
mas também uma irmã que, aterrorizada por ir para longe uns meses, agride e desvaloriza tudo, acorda todas as antigas mágoas, para marcar posição, para deixar o castelo bem guardado e destruir tudo o que ela teme que possa ameaçar-lhe a supremacia de sempre.
mas também um pai que sempre preferiu a surdez.
mas também uma mãe que sempre usou da zanga para aliviar a frustração e a culpa.
e eu
a ver isto
sempre a olhar de frente isto
para fugir disto
para não repetir isto
para não cair nisto
soube bem a piscina, a praia, a comida feita no frigorífico, o cão no jardim, a excitação do amor-maior-que-todos.
mas soube mal reviver o pior da minha vida antes de ter mudado de vida.
enfim, há sempre algo de pedagógico nestas coisas.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
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3 comentários:
:| uff!
enfim, também podes, para o ano, deitar tudo para trás das costas e dizer não! Por, simplesmente, não quereres sofrer mais e passar ao lado prático de eliminar o que podes! Assim, tão friamente, pois, assim mesmo! Nem precisas de te zangar (o que se acontecer pode servir simplesmente para exorcisar a coisa) mas podes simplesmente poupar-te!
Olha, eu, que não sou exemplo para ninguém, levo a vida bem melhor desde que me permiti poupar-me. chega de dar a outra face, e o ombro, e o braço, e as pernas e tudo onde pudesse levar "pancada"! Foi uma coisa sem data prevista ou marcada, simplesmente aconteceu! E agora se me sinto no limiar de voltar a acontecer -alerta! - retiro-me logo! Desligo o telefone depois de uma breve troca de palavras, ligo menos e não vou! Raramente convido. E sou mais feliz assim. Descobri que preciso mais de me preservar do que de manter relacionamentos desiquilibrados, agressores e que, em nome "das origens" só me faziam mal!
Lá estou eu a cagar sentenças, mas é que me dá neeeervos que as pessoas sejam más e mal resolvidas!.. :) desculpa!
e beijinhos e benvinda!
olá!
fui para descansar do "aqui", e o "lá", como só tem sido vivido em visita, parecia mais resolvido e arrumado do que veio a mostrar-se. eu agora já não deixo por dizer mas ainda não deixo por sentir e isso é que será o nirvana, quando só notar de vez em quando e me rir quando notar.
beijinhos, para as 3
(sabes que pensei como estarias?)
:)
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